Eu vou dar um break de futebol
Ah, mermão, quer saber? Foda-se. Nelson Rodrigues gostava de dizer que “o futebol é a coisa mais importante entre as coisas menos importantes” e eu concordei com ele por muito tempo. Vou me esforçar fortemente pra mudar de ideia.
Mais uma vez a selecinha foi eliminada de forma patética. Eu achei que nada ia superar minha frustração futebolística pós eliminação brasileira da última copa, logo após um gol antológico do, até então, eterno menino Ney. Nessas horas a cultura popular explica: essa tinha sido minha maior frustração so far. Fui garoto.

Eu já tinha conseguido me desapegar do futebol brasileiro devido a situação atual do meu clube de coração. Eu sei que isso soa como torcedor modinha, mas vai além dos títulos (no caso, falta deles). Eu não consigo simpatizar com corrupção.
Aí vem a tal da Copa do Mundo - e eu, por um instante, decido ignorar o que acabo de dizer. O maior evento esportivo desse planeta que tem o formato muito parecido com a redonda utilizada nas partidas. Coincidência? Acho que não. ~ Jabulaaaaani ~
Trouxemos o melhor treinador do mundo, mas sabíamos que tínhamos um time fraco. Convocação controversa, jogadores se lesionando no frigir dos ovos. Até aí tudo normal.
O time foi ganhando corpo, nos classificamos sem muitas surpresas e tivemos um jogo emocionante contra o Japão. Eu acreditei: O velho tem um plano!
Oitavas de final, Noruega. Quebraríamos a maldição de sempre cair para uma equipe europeia? Entramos sem meio com uma estratégia clara: deixar a bola com os caras e surpreender no contra-ataque. A bola não pode chegar redonda no Majin-buu Haaland. Parecia que ia funcionar, sofremos um penalty (que me recuso a comentar sobre o batedor e apatia do craque do time), bola na trave, goleiro virando Neuer, Martineli esquecendo como que pula. Técnico mexe no time e temos uma chance claríssima de gol. O novo Pelé isola a bola e nossos sonhos. Cadê aquele vídeo do Ronaldo1 dizendo que estar no x1 contra o goleiro era o que ele mais gostava? Que saudades do Luís Fabiano, nosso último 9. Fatalmente sofremos um gol (adivinha de quem). É a máxima do futebol: Quem não faz, toma.
A partir daí, foi ladeira abaixo. Time perdendo e jogadores caminhando em campo. Haaland recebe uma segunda bola. Para, pensa, olha o relógio, admira o passarinho que tava passando naquele lindo dia e atira um foguete no canto esquerdo do nosso goleiro - que nem após o processo de enfeiamento melhorou. Dois a zero.
Oitavas de final, Copa do Mundo. O que você espera que aconteça agora? Time perdendo de dois a zero tem que ir pro tudo ou nada. Suar sangue, correr onde as pernas não chegam e o que vimos foi um time pesado, sem vontade de ganhar e apático.
Mais uma ironia: Neymar, nosso último craque, o último jogador com o DNA “Joga Bonito” faz um gol (de penalty). Correu pra pegar a bola pra reiniciar a partida (e tentar um milagre)? Não, caiu na pilha do goleiro e foi bater boca.
Perdemos tempo, Neymar tomou cartão, o time não correu e perdemos o que parecia que seria uma partida fácil.
Agora compare com a postura dos nossos rivais quando estão perdendo. Perder lutando (como fez Cabo Verde) é honrado. Desistir e aceitar a derrota antes do apito final é patético.
A frustração e a raiva são irracionais. Esse esporte ativa algo estranho no meu cérebro. Esporte de suspense que nem sempre o melhor ganha. Um gol muda a história de um jogo e, controversialmente, 2x0 é o placar mais perigoso (menos contra a gente).
Eu gostaria de conspirar e dizer que os jogadores perderam identificação com a canarinho porque saem do Brasil muito cedo e rapidamente ganham caminhões de dinheiros. Eu gostaria de dizer que eles estão pouco se fudendo pra seleção e estão mais preocupados com qual será a próxima verificada que vão comer. Eu gostaria de dizer que o time é um catadão escolhido a dedo por empresários influentes e CBF e que pouco tem a ver com mérito. Eu gostaria de dizer muitas coisas e, provavelmente, muitas seriam verdades ou quase verdades.
Entretanto, por que caralhos o mesmo não se passa com as demais equipes? Salvo seleções europeias com ligas fortes (Espanha e Inglaterra, talvez Alemanha) - os times, em sua grande maioria, são formados por jogadores que jogam em ligas estrangeiras. Todos ganham um caminhão de dinheiro e aposto que muitos também comem várias verificadas.
Por que caralhos eles correm, tentam e se matam e nosso atletas perdem e riem? Isso não tem sentido. Psicológico de centavos?
O futebol me desperta essa bizarrice, que por muito tempo me fez ignorar os arredores. O futebol é o esporte mais democrático e uma das poucas ferramentas capazes de unir um povo. A seleção já não consegue mais fazer isso.
- 1998: Chegamos à Final, perdemos pra França. Zidane acabou com o jogo.
- 2002: Ganhamos. Ronaldo e Rivaldo, como perder?
- 2006: “Quadrado mágico”, piada.
- 2010: Dunga no comando, perdeu o seu homem de confiança (Elano) e o time definhou.
- 2014: Início da Era Neymar. Tentaram matar o menino e ele quase fica tetraplégico. 7x1. Neymar hospitalizado.
- 2018: Courtois faz o jogo da vida. Caímos pra Bélgica.
- 2022: Time esquece de jogar futebol após gol antológico de Ney. 4 minutos. Deveras, impossível ganhar com Tite de técnico. Caímos pra Croácia.
- 2026: Fim da Era Neymar. Caimos de forma patética pra um time ruim.
Depois dessa derrota, a realidade. Por que sofrer por essa desgraça? Jogadores não estão nem aí, CBF não está nem aí. Por que apoiar (de forma indireta) instituições que eu desprezo?
Eu amo meu clube, odeio a diretoria. Eu amo a Seleção Brasileira, odeio a CBF. Eu amo o futebol, odeio a FIFA e CONMEBOL.
Não tem sentido, então tá na hora de ajustar. Farei meu break de futebol, não sei até quando, mas farei.
Até 2030.
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PS: Entreguem a taça pra Argentina logo - já tá feio esse favoritismo. Quem sabe assim Messi finalmente supera Maradona em termos de grandeza.
Não é exatamente a entrevista que eu tava procurando, mas encontrei essa: RONALDO FÊNOMENO SOBRE X1 CONTRA OS GOLEIROS.↩