Efeito Borboleta
15 anos atrás eu tive que tomar minha primeira grande decisão. Ir ou ficar? CS ou Design? Eu lembro bem, minha cabeça estava a milhão e eu sentia uma angústia tremenda. A maneira que eu encontrei de me acalmar foi rabiscando um caderno qualquer. Esse rabisco se tornou uma das minhas ilustrações favoritas, muito provavelmente pela maneira visceral em que ela se desdobrou. Foi sem esboço, no pelo mesmo. Era como se a BIC repentinamente tivesse adquirido um poder sobrenatural de traduzir o que eu tava sentido - e que palavras não eram capazes de fazê-lo. Um pouco poético, um pouco melancólico - e bastante ridículo, se eu posso ser sincero.

Syntax Error. 2011.
Eu obviamente não sabia, mas aquela decisão era uma semente. Foi naquele momento, graças aquele passo que hoje, 15 anos depois, eu posso dizer que cheguei onde aquele rapaz jamais teve a ousadia de imaginar. É isso que chamam de efeito borboleta? Eu prefiro “teoria do caos”.
Como ritual de passagem decidi revisitar aquele desenho. Hoje, depois de tantos anos, confesso que não tive aquela experiência surreal. Ainda foi visceral, reconheço. Enquanto tocava Meteora (do Linkin Park) e eu escutava o ruído do spray cuspindo tinta, eu voltei no tempo. Me senti com aquela idade novamente, e paradoxalmente, também consegui me enxergar de longe, como se eu fosse um expectador de um filme. Eu estava longe. A câmera com zoom out e revi, em terceira pessoa, alguns dos momentos decisivos que me trouxeram até aqui.

Dessa vez sim, rolou um esboço rápido feito com carvão.
O graffiti foi feito em umas duas horas depois de um longo dia de mudança. Eu estava cansado e não rolou catarse alguma, mas tive um sentimento profundo de gratidão. Gratidão pelo sacrifício e pela semente plantada há tanto tempo. Gratidão pelas bençãos que foram concedidas ao longo desse tempo. “Nunca foi sorte”. 15 anos eu demorei pra colher e, agora, eu não consigo parar de me perguntar: o que estou plantando hoje pra colher daqui a mais 15?

Releitura. 2026.