Diário de bordo: Viajei sozinho!
[originalmente postado no falecido medium]

Já li vários textos sobre o assunto, mas agora que fiz minha primeira experiência, resolvi escrever o meu próprio texto. Já adianto que será repleto de clichês e “senso comum”, mas eu não me importo. Estou escrevendo para registro pessoal e para fazer consulta nostálgica daqui a alguns anos.
Viajar sozinho é um negócio meio maluco. Antes e durante a viagem acontece essa mistura maluca de sentimentos: medo das coisas darem errado, excitação, animação, cansaço, um pouco mais de medo do desconhecido... É muito louco! É claro que, como tudo na vida, viajar sozinho tem pontos negativos e positivos e quero compartilhar aqui algumas das coisas que aprendi durante essa jornada de 11 dias pelo norte e região Toscana da Itália.
Valorize o descanso e se alimente bem
Na verdade essa é uma coisa que vale para qualquer tipo de viagem, mas quando você está viajando sozinho essa dica é especialmente preciosa. A rigor, não há ninguém contigo pedindo para parar para comer ou exigindo um lugar bacana para dormir. É tudo por sua conta. Não caia na besteira de acreditar que, só porque você é jovem, não precisa de uma boa noite de sono e de se alimentar direito. Eu caí. O descanso é fundamental para que você aproveite o próximo dia da melhor maneira possível. Pode ser até razoável ficar uma noite ou duas sem dormir bem no começo da viagem, mas após uma semana o corpo vai começar a reclamar e isso pode fazer você perder a vibe e ficar mal humorado.

Sobrevivi de pedaços de pizza baratos (raramente bons como esse da foto) e besteiras . Não recomendo.
A viagem (e a vida, de maneira geral) não precisa ser levada tão a sério
Embora eu seja uma pessoa totalmente desorganizada em muitos aspectos da minha vida, gosto muito de ter as situações que me cercam sob controle. Viajar sozinho fará você se desapegar um pouco disso, e pra mim foi muito bom. Não é sempre que seu roteiro vai funcionar direitinho e, adivinhe só, imprevistos acontecem! O grande barato é saber lidar com essas mudanças repentinas da melhor maneira para conseguir aproveitar o máximo, sem que um detalhe coloque em risco seu humor.
O desconhecido e o improvisado podem ser incríveis!
A coisa mais legal que aconteceu em toda a minha viagem foi totalmente desplanejada. Uma surpresa incrível que simplesmente aconteceu! (Contei mais ou menos essa história aqui)
Como eu comentei no tópico anterior, imprevistos acontecem e, na real, é muito bom que eles aconteçam. Fugir do óbvio certamente te trará surpresas, que podem ser muito boas ou podem ser razoáveis (acho muito difícil acontecer algo realmente ruim por causa de uma mudança de curso em uma viagem). Aprendi (talvez tarde demais) a valorizar as pequenas mudanças de rota e enxergar nelas o sentido da famosa frase: “The best part of memories is making them”.
A vida é feita de escolhas (é preciso saber lidar com elas)
A frase é até cliché, mas foi algo que tive que aprender on the fly na minha viagem. Sofro do mesmo mal que a maioria dos viajantes brasileiros: quero conhecer tudo, não quero perder nada. Perder uma oportunidade podia ser algo que acabava com meu dia. Aprendi que o mundo é gigante e, infelizmente, não dá pra conhecer tudo. As vezes “perderemos” oportunidades por falta de tempo, por falta de grana ou até mesmo devido ao cansaço físico. Não há porquê se culpar por isso. As nossas escolhas são feitas baseadas em uma série de fatores do momento. Após a decisão tomada, bola pra frente.
Viajar sozinho não é estar sozinho
Talvez esses sejam os maiores medos das pessoas quando pensam em viajar sozinhos: Estar sozinho o tempo todo, se sentir solitário e não ter ninguém com quem compartilhar as coisas. A grande verdade é, quando você viaja só, automaticamente fica mais aberto. Você precisa se comunicar, seja para encontrar o endereço do hostel ou pra perguntar onde é a estação de metrô mais próxima. Além disso, há uma coisa incrível que as pessoas fazem por aí: elas também viajam sozinhas! Com isso, estão na mesma situação, abertas a conversas e a mudanças repentinas de roteiro. Certamente as conversas mais bacanas que tive durante a viagem foram com pessoas que estavam na mesma situação que eu. Quer um exemplo? Indo de Milão pra Como, peguei o trem e puxei papo com o cara que tava mais próximo pra confirmar que estava no trem correto. Acabamos trocando mais algumas palavras e no final estávamos conversando sobre a situação socio-econômica e política do Brasil e da Europa! Foi incrível! Não estou dizendo que viajar sozinho seja melhor do que viajar acompanhado, mas essa conversa, por exemplo, teria sido impossível de acontecer numa outra situação.
Todavia, viajar sozinho também significa, vejam só, estar sozinho por algum tempo. O que é também é muito bom. Vou explorar esse assunto no próximo tópico.
Autoconhecimento
Quando você viaja sozinho, se pegará em muitos momentos em que está realmente só. As vezes em uma viagem de ônibus, esperando o próximo vôo ou até mesmo explorando aquela cidade que você acabou de chegar. Esses momentos são riquíssimos! Sem querer, você começa a pensar muito na vida, nas suas escolhas e nas suas perspectivas. A reflexão acontece quase que de maneira natural. Como você se encontra só, instintivamente fica mais sensível e com os sentidos atentos e apurados. É nessa hora que você consegue enxergar com perspectivas diferentes diversas coisas que você sempre olhava com o mesmo olhar. Além disso, esses momentos de “solidão” te proporcionam um profundo autoconhecimento. Você consegue perceber melhor e com mais clareza o que realmente gosta e o que não gosta. Não há terceiros para influenciarem na sua decisão ou maneira de pensar. Após uma viagem sozinho você certamente voltará sendo mais você.
O interessante de tudo isso é que você percebe todas essas coisas que eu escrevi logo após a viagem. No caminho para o aeroporto minha cabeça já estava borbulhando com todas essas ideias. Peguei o avião de volta com uma única certeza: farei isso mais vezes!
PS: Talvez esse texto tenha sido um copy-pasta inconsciente desse textasso publicado no PdH. Recomendo a leitura!
